
Já posso até ver o próximo sucesso de Hollywood. Eles estão fazendo um quarto filme na série "Piratas do Caribe", mas eu acho que ao invés de fazer aquela mesma história de sempre, com o Johnny Depp procurando algum tesouro mágico em algum lugar perdido, o que, francamente, está um pouco batido, eles deveriam ser mais ousados com o novo filme. Por que não fazer um daqueles filmes "baseados em eventos reais"? O título eu já deixei aí em cima!
Como vocês bem sabem (ou não), a costa da Somália se tornou, nos últimos anos, a região mais perigosa do mundo para se viajar de barco, por conta da ação de piratas na região. Isso mesmo. Piratas de verdade, em 2008! Que diabos, eu não duvidaria nada que pelo menos um deles até use um tapa-olho! Só esse ano, foram registrados mais de noventa ataques contra navios na região, 38 desses navios foram capturados e pelo menos 16 navios ainda estão em poder dos piratas. Um deles é o Sirius Star, um navio petroleiro saudita de 330 metros de comprimento, carregando quase 2 milhões de barris de petróleo. Para vocês terem uma idéia, cabem três campos de futebol em cima do deck do navio e, quando carregado, ele pesa três vezes mais do que o maior porta-aviões da Marinha americana. No momento, ele está ancorado perto de uma cidadezinha da Somália chamada Harardhere, sendo que eu não duvidaria que ele fosse maior do que a vila inteira. Um outro navio bastante interessante também foi raptado pelos piratas Somali, dessa vez um navio ucraniano chamado MV Faina, que está ancorado perto da mesma vila. Esse navio, entretanto, tem uma carga bem mais interessante: 33 tanques soviéticos, fuzis, lança-granadas e munição. Teoricamente esse material teria sido comprado pelo Quênia, mas parece que na verdade o negócio todo é contrabando que ia acabar na mão dessas milícias que tem na África.
Diferente dos seus côngeneres do século XVIII que em geral abordavam os navios para roubar as cargas, os piratas da Somália estão atrás de resgate. Eles mantém o navio e a tripulação reféns dentro do navio, perto da costa, até que o dono do navio pague um resgate, em dinheiro vivo, pelo navio e pelos tripulantes. Segundo relatos das tripulações resgatadas, eles são bem tratados pelos piratas, que chegam ao ponto de contratar moradores das vilas para cozinhar comida "ocidental", lavar as roupas, etc. Depois de pago o resgate, o navio é liberado. As autoridades do Quênia, país vizinho, acreditam que só esse ano os piratas receberam $150 milhões em resgate. Nada mau para um país que não tem porra nenhuma, né?
E é justamente por isso que a pirataria é um negócio em rápida expansão na Somália. Veja só, desde 1992 que a Somália não tem um governo. Aquele lugar é um caos completo. Como o país não tem governo, não tem polícia, nem Marinha, nem Guarda-Costeira, nem nada. Durante esses últimos anos, vários navios de pesca industrial asiáticos invadiam as águas costeiras da Somália e literalmente acabaram com todos os peixes da região. Os pescadores locais não tinham a menor chance de competir. Foi aí que começou a pirataria. Os pescadores arranjaram umas armas, uns barcos rápidos a motor e passaram a atacar os navios de pesca, pedindo resgate para liberar eles. Quando eles viram que o resgate dava mais dinheiro do que pescar, a coisa tomou impulso. Pelo que se sabe, os chefes tribais da Somália agora apoiam os piratas. E eles estão ficando mais sofisticados. Os piratas agora são compostos por ex-pescadores, que são considerados os cérebros por trás das operações, visto que são eles que conhecem o mar, as rotas dos navios, etc. Junto deles, vão os ex-soldados das milícias tribais, que servem de músculos, armados de AK-47's e lança-foguetes. Por fim, tem os especialistas, os caras que operam os GPS's, os telefones por satélite, as máquinas de contar dinheiro e que servem como tradutores para falar com as tripulações e com os donos dos navios. Pelo que se sabe, esses últimos são ex-professores, técnicos desempregados, etc. Quando chega o resgate, os piratas deixam cerca de metade do dinheiro com os líderes tribais e dividem o resto da grana entre eles. E, caras, eles tão ficando ricos. Constroem casas enormes nas vilas onde eles têm as bases deles, casam com as garotas mais bonitas da região (a Somália é um país em grande parte islâmico, portanto, os homens praticam a poligamia e é considerado de alto status poder manter várias esposas), compram carros possantes, etc.
A maioria dos piratas é de uma região chamada "Puntland", que é aquela ponta do "Chifre da África". Se vocês verem bem um mapa, essa região fica colada com o Golfo de Aden, que é a único caminho possível para todos os navios que tem que passar pelo Canal de Suez. E passam MUITOS navios por ali. Mas os caras são até mais ousados. Além de atacar os navios que passam ali pelo canal, eles tão atacando navios em alto-mar, por todo o Oceano Indíco. O Sirius Star, por exemplo, foi capturado centenas de quilômetros ao sul, em alto mar. Isso porque, obviamente, com tantos atos de pirataria, as Marinhas do mundo estão começando a reagir e patrulhar a região, o que está deixando o Golfo de Aden meio perigoso para os piratas. Um dia desses, a Marinha indiana até afundou um navio que estava sendo usado pelos piratas. Infelizmente, era um navio que eles tinham acabado de capturar e a tripulação original ainda tava dentro e 14 pessoas morreram, só um escapou vivo, depois de ficar uma semana boiando em alto-mar. Ah, os piratas fugiram antes do barco afundar. Na verdade, os piratas continuam dando um baile nas Marinhas.
Então, estou certo ou não em propor essa nova temática? Olha só, eu tenho até um elenco prontinho para atuar! Veja só que elenco talentoso e carismático! O segundo cara na fileira de cima tem tudo para ser o herói principal, com aquele sorriso charmoso e seu lança-foguetes a tira-colo. O cara logo embaixo dele é o palhaço da turma, com aquele chapéu engraçado. Muito melhor do que o Johnny Depp e o Orlando Bloom! Fica faltando uma atriz feminina, para tomar o lugar da Keira Knightley, mas acho que deve ser fácil comprar uma noiva ou duas em Mogadishu para estrelar.

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